Nossa história

Para saber quem somos, conheça nossa história

Era julho de 1929, durante o verão (Natsu/夏), época de chuva abundante no Japão, quando 189 pessoas despediram-se do seu país rumo a uma região desconhecida, a Amazônia.

Foram 45 dias de Kobe a Santos, na imponente embarcação Montevideo Maru. De São Paulo, as 89 famílias seguiram para o estado do Pará, totalizando quase dois meses de viagem. Aquelas pessoas não sabiam, mas ali começava a história da CAMTA, marcada por superação, paciência e perseverança.

Primeiro grupo de imigrantes japoneses, em 1929

A história da CAMTA vem sendo construída junto da história tanto da migração japonesa para o Brasil como do próprio município paraense de Tomé-Açu. Nossos produtos são frutos da biografia de muitas famílias que se permitiram crescer e inovar, respeitando os costumes dos antepassados e agregando a cultura e os valores regionais.

O início do plantio e o aprendizado amazônico

Uma vez no Pará, as famílias enfrentaram o desafio de se instalarem em um lugar novo, cujo idioma não dominavam e que os recebera com muita chuva, umidade e particularidades dos trópicos, como pragas agrícolas e enfermidades antes desconhecidas.

A primeira tentativa de plantio foi de cacau, cultura de subsistência, e hortaliças. A terra da região não resistiu à monocultura. Reagiu com pragas e acarretou insucesso. O ciclo da pimenta-do-reino só prosperou após 1945. A partir de então, o Brasil passou a ser o maior exportador mundial desse tempero, que ficou conhecido como “diamante negro”.

Pátio de secagem.

Finalmente, em 1949, nasceu a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu, a CAMTA. Foi a primeira cooperativa agrícola do estado e uma das mais antigas do Brasil. A CAMTA consolidou o trabalho e o know-how que já vinha sendo realizado naquelas terras.

A grande revolução produtiva da CAMTA iniciou-se com o cultivo agroflorestal, a partir da década de 70. O objetivo era buscar a estabilidade econômica para os produtores, com o consórcio de espécies de plantas frutíferas e florestais nas áreas onde o cultivo de pimenta-do-reino estava decadente.

Cacaueiro.

A produção foi diversificada com o desenvolvimento do Sistema Agroflorestal de Tomé-Açu, mais conhecido como SAFTA. Esse sistema é inspirado na vivência dos povos ribeirinhos, habitantes das margens dos rios da Amazônia, do plantio em seus quintais imitando a floresta, isto é, do policultivo de árvores frutíferas e florestais. Os cultivos mais promissores estão sendo reaplicados, refazendo a paisagem de áreas desmatadas e formando um mosaico de plantações agroflorestais.

A produção do SAFTA transformou a região em importante polo exportador de frutas tropicais. Fez dela também referência em desenvolvimento, inovação e disseminação da tecnologia SAFTA no Brasil e em outros países, como Bolívia e Gana, por meio de cooperação.

Linha do tempo da colonização referencial de agricultura sustentável na Amazônia

1929

O início da história: nossa base

Chegaram os primeiros imigrantes à Companhia Nipônica do Brasil e iniciou-se a produção agrícola de verduras e juta.

1931

A primeira organização em cooperativa

Foi criada a Cooperativa de Hortaliças do Acará com o desafio de influenciar o regime alimentar do povo de Belém.

1932

Construção do hospital local

Em meio à época crítica da Malária, foi construído o Hospital de Quatro-Bocas, alterando o projeto inicial de escola. O hospital tornou-se referência de tratamento contra a malária.

1934

Makinosuke Usui e as mudas de pimenta

Tomoji Kato e Enji Saito receberam e plantaram as três primeiras mudas de pimenta-do-reino da região, vindas de Singapura.

1949

Surgimento da CAMTA

Fez-se o registro oficial da Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu.

1950

Nascimento da marca da CAMTA

Um concurso interno da CAMTA, vencido pelo sr. Katsutoshi Nichio, promoveu a criação da logo da cooperativa.

1959

Emancipação do município

Com a emancipação de Tomé-Açu, foram eleitos os primeiros vereadores nikkeis.

1961

JAMIC

Foi aberta a JAMIC e elegeu-se o primeiro prefeito niikkei, o sr.  Fukashi Sawada.

1966

Expansão e valorização cultural

Construiu-se a Associação Cultural de Tomé-Açu, que chegou a ter 400 associados (na época KONMINKAN). No ano seguinte, foi construído o Depósito de Pimenta.

1971

Inauguração de novo hospital e novas estradas

Foi inaugurado o hospital JAMIC e abriu-se a estrada ligando Tomé-Açu a Belém.

1972

Recorde de produção de pimenta-do-reino

A produção de pimenta-do-reino alcançou 5 mil toneladas. No mesmo ano, inaugurou-se a estrada que interliga Tomé-Açu a Belém.

1972

Novo Instituto, mais investimento em tecnologia

Foi inaugurado o Instituto Experimental Agrícola Tropical da Amazônia (INATAM) para pesquisar a doença da pimenta-do-reino, Fusarium, e buscar alternativas.

1972

Elevação do preço do cacau no mercado internacional

O preço do cacau foi de U$400 para U$4.800 por tonelada.

1974

Valorização do fruto amazônico

Introduziu-se a cultura do cupuaçu.

1979

Fortalecimento das relações com o Japão

Recebeu-se a visita, neste período, do ministro da Agricultura do Japão, sr. Michio Watanabe.

1981

Criação de associação para fomentar a agricultora local

Criou-se a Associação Fomento Agrícola de Tomé-Açu (ASFATA), com verba do governo japonês, através da Agência de Cooperação Internacional do Japão.

1983

O enfrentamento de uma crise e o apoio do Japão

Em meio a uma crise econômica já estabelecida, foi montado um plano de plantio de 10 anos para o recebimento da verba da JICA e recuperação.

1987

A expansão e a diversificação

As atividades foram expandidas e diversificadas com a instalação da agroindústria. Fundou-se a Cooperativa de Eletrificação e Telefonia de Tomé-Açu.

1996

A aposta em mais um fruto campeão

Deu-se início ao cultivo do açaí.

2000

Estudos e melhorias

Começaram os estudos acadêmicos sobre o sistema agroflorestal em Tomé-Açu.

2002

Ampliação e união de esforços

A ASFATA foi incorporada pela Associação Cultural de Tomé-Açu (ACTA).

2006

Mais armazenamento, melhor atendimento às demandas

A capacidade de armazenamento foi ampliada de 1 mil toneladas para 2 mil toneladas.

2008

Fortalecimento institucional

Deu-se início às atividades da Usina de Extração de Óleos e a CAMTA incorporou a COERTA.

2009

Reconhecimento do trabalho com o SAFTA

Produção sustentável dentro da fruticultura familiar e o SAFTA foi reconhecido como referência internacional.

2010

Reconhecimento e premiação

Foram recebidos a Premiação Cacau de Excelência no Internacional Cocoa Awards, o Prêmio Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR) e o Prêmio Chico Mendes na categoria Negócio Sustentável.

2012

Mais apoio aos nossos cooperados

Inaugurou-se a Casa do Cooperado.

2014

Novos prêmios

Foi recebido o Prêmio FINEP de Tecnologia Social da Região Norte e a Câmara foi ampliada para 3 mil toneladas .

2016

Expansão e ampliação dos negócios

Ampliou-se a área fabril da agroindústria.

2018

Visita real

A CAMTA recebeu a visita da sua Alteza Imperial Princesa Mako Akishino e ganhou a Premiação Samuel Benchimol.

2019

Celebração histórica

Foram comemorados os 90 anos da imigração japonesa na Amazônia.

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